sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Humor Britânico

Devido a sessão da tarde e as milhares de séries e sitcons enlatadas que assistimos durante todo nosso desenvolvimento, posso afirmar que o humor brasileiro é fortemente influenciado pelo humor americano. Pelo menos o meu humor é assim. Tiradas rápidas, escatologia e aquela boa e velha pausa entre os diálogos para a inserção de risos da platéia (que platéia? Eles gravam esses seriados com platéias? Ou eles passam prum público assistir depois de gravado? E como é o roteiro? Será que tem um "[PAUSA PARA RISADA DA PLATÉIA]" no meio? E nossos filmes e programas de humor também são muito parecidos com o americano (tá aí o Adnet e seu Saturday Night Live tupiniquim). E assim eu aprendi que eu podia rir quando o sujeito do American Pie pega uma super cola em vez de pegar um lubrificante.
Até metade da minha adolescência eu não compreendia direito os diferentes modos de se encarar o humor, de acordo com sua cultura. As sessões do Mr. Bean no Fantástico eram engraçadinhas, mas eu não tinha uma real consciência do porquê que um filme como "Cara, cadê o meu carro?" me fazia rir muito mais do que aquilo. Foi ali pelos meus quinze anos que fui assistir um filme inglês de comédia realmente.
O humor britânico é um humor, digamos, mais refinado. Ele é mais inteligente, mais pontual. Muitas vezes ele te pede um certo conhecimento para que você ache graça, as vezes ele requer até alguns segundos para que você pense sobre o que foi dito. O absurdo também é muito explorado no humor britânico ("This bloody story makes no sense at all!"). Não o considero melhor ou pior, ele é apenas... diferente. Nós que somos acostumado a esquetes dinâmicas, sentimos falta de um pouco de timing. A piada aconteceu, pronto continuemos a história, não ficamos ali parado esperando a reação da platéia. No humor americano a risada é imediata.
Sempre ouvi falar de Monty Python e de como eles eram referência para todos os comediantes do planeta (incluindo aí um certo Vigilante) e de como seus filmes eram legais. Eu, como bom publicitário e a obrigação de me encher de referências das mais variadas possíveis, fui ver de qual que era. Principalmente quando sei que as temáticas de seus filmes são eventos históricos e religião, duas coisas que sempre me atraíram muito. Porém, ao assistir seus filmes, o que vi foram duas horas de piadas geniais espalhadas entre uma cena e outra e que poderiam estar em um filme americano lindo de meia hora. Não é demérito deles, é só minha a falta de costume com o estilo. Aposto que os ingleses sofrem ao ver um filme americano e saem da sala de cinema se sentindo com 36 pontos a menos de QI, não os julgo.
Um exemplo prático dessa diferença é o filme "A Festa de Neil". Eu e meus amigos temos o costume de alugar filmes de humor que ninguém nunca tenha alugado, e não estou falando de filmes cults de humor da Islândia, estou falando de filmes com baixo orçamento e roteiros ruins mesmo. Em uma dessas locações, pegamos esse "A Festa de Neil". Esse filme é basicamente um "American Pie" inglês. Jovens fazendo merda, bebendo e se divertindo. Porém a edição do filme e a trilha sonora deixava tudo em um clima tão esquisito que não conseguimos gostar do filme. Era um roteiro ótimo (para as limitações desse tipo de filme, claro), com bons atores, porém cada vez que a piada acontecia (logo após a punchline), a edição ficava filmando a pessoa que fez a piada por dois segundos. Dois segundos de silêncio constrangedor. A trilha sonora também não ajudava em nada. Músicas eletrônicas que pareciam ter saído de uma badtrip de um ácido ruim não ajudavam em nada ao telespectador entrar no clima de azaração e curtição do filme. [/Malhação]
Claro, isso tudo no ramo do audiovisual. Como esconder que meu autor de livros favorito é britânico? Não, não é a J. K. Rowling, estamos falando do gênio Douglas Adams, autor do Guia do Mochileiro das Galáxias (e roteiristas de algumas esquetes do Monty Python também).
Não nego que os humoristas ingleses são muito bons no que fazem, o que falta aqui é cultural. Não cresci acostumado com esse tipo de humor e o estranharei pelo resto da minha vida. Ou vai me dizer que você prefere o The Office inglês do que o The Office americano?

5 Comentários:

Zé Abrão disse...

realmente, humor britânico tem umas sacadas ótimas, mas não é tão diverido como um diálogo de Clerks: "Did he say 'MAKE FUCK'?"

Gabriel Mota disse...

O bom de Publicidade é que a gente assistiu Monty Python na aula da Janaína! E você sabe bem como é a Jana, ela adora esse humor. A Vida de Bryan, o filme que ela passou pra gente, é ótimo e tem a música mais viciante do mundo no final:
http://www.youtube.com/watch?v=1loyjm4SOa0

Biah disse...

Pior que é verdade... =/// As piadas são muitíssimo mais espertas e maneiras em muitas das vezes, mas o massa mesmo é a gente ser surpreendido instantaneamente por algo que faça rir com gosto (tipo "Whose Line is it Anyway?" \\\o///).
Mas mesmo com um pouco dessa falta de timing, eu adoro eles!!!! "Monty Python e o Sentido da Vida" é um dos melhores filmes de humor que já assisti ever, recomendo pra vcs =DD
Parabéns pelo brog galéras ^^

M. disse...

Tudo que vem da Inglaterra é bom. Jude Law tá ai e não nos deixa mentir haha
Mas as vezes humor dado, aquele bem ameericano é legal... Principalmente qdo vc n quer ficar pensando, só precisa destrair um pouco.

thiago lira disse...

Eu prefiro mil vezes o The office britânico kkk

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