domingo, 28 de novembro de 2010

A Vida É Um Grande Pote De Actívia.

Era uma vez, em uma terra muito, muito distante, uma cidadezinha cujos moradores tinham uma mentalidade do tamanico dessa cidade. E nessa cidade vivia um garoto muito, mas muito viajandão. Ele sonhava em romper os limites geográficos dessa sua terra. Só não sabia como.
E enquanto esse dia não chegava, o menino seguia sua vida. Por anos ia à igreja, fez a catequese. Depois a crisma. Encheu sua família de orgulho quando teve que vestir aquele "vestido branco unissex" e cantar com vela na mão durante toda a cerimônia religiosa. E depois, todo mundo foi comemorar fofocando em um churrasco familiar.
Esse menino continuou sua vida, sempre com as mesmas pessoas, as mesmas personagens. Sempre com seu jeitinho bitolado de ser. Ele era um gordinho leonino. Logo, chamava mais atenção do que ninguém. Adorava as coisas simples, como cabular as aulas do ensino médio só pra ficar conversando com as tias da limpeza no corredor do colégio.
Era um amigo. Daqueles de honrar cada uma dessas cinco letras. Mas parece que em cidade do interior as pessoas não sabem bem o que é isso. Ou era ele quem sabia demais. O fato é que sempre se sentia sendo mais amigo do que os outros. E foi aí que passou a questionar a amizade.
E ele foi crescendo, e foi vendo seus amigos, os poucos que como ele sabiam o que essa palavra significava, indo embora. E então passou a questionar a solidão.
Depois questionou seus questionamentos, porque interiormente ele era muito confuso.
Foi quando chegou a hora de ele fazer o que todos os jovens na idade dele queriam: fugir dali. Entrou na faculdade e se mudou para a Capital.
Teve por alguns meses o que sempre sonhava nas rodas de conversas e bebidas madrugada adentro com os amigos do interior: liberdade. Mas eles eram tão ingênuos que mal sabiam que liberdade nem é algo que se busca, é algo que se tem. Ou que se compra com qualquer cartão de créditos, não é?
Nova cidade, novos amigos. E ele padeceu pela primeira vez. Se vendeu àqueles moderninhos da cidade grande e passou a fazer tudo o que no interior seria pauta pra desligar o rádio da sala e partir para uma discussão familiar. Estava adorando tudo aquilo quando percebeu que, apesar de todas as mudanças, a sua unha do dedão do pé não havia sido vendida aos moderninhos da capital.
E tal qual uma praga, aquela parte ingênua do interior que havia ficado na unha do dedão do pé se alastrou por todo corpo. E aí, vocês já devem saber: ele começou a entrar em retrocesso e questionar tudo mais uma vez.
Só que dessa vez eram questionamentos diferentes. Ele já não era o mesmo em corpo e mente. Mas continuava o mesmo em alma. E com essa mistura o menino cresceu. Não via mais graça em sair para baladas, não se interessava mais em dias de bebedeiras descontroladas, queria apenas otimizar seu tempo com coisas que valessem a pena.
E padeceu pela segunda vez: se rendeu a ele mesmo e viu que havia guardado a criança do interior na caixa de sapatos, junto com cartinhas coloridas das amigas coloridas da cidadezinha de onde veio. Ele queria liberdade de verdade, mas não tinha tempo para tal. Trabalhos e estudos passaram a ser rotina e o futuro agora era a sua pauta principal.
Ele, agora homem sem tempo para besteiras, queria sumir. Queria sair da cidade grande. Queria conhecer gente nova, novas ruas, queria viajar. Pensou no que levaria na mala, que logo trocou por uma mochila. Pensou em uma pochete mas era brega demais. Esvaziou a caixa de sapatos e botou lá dentro seu suprimento vital. Assustou com o que colocara lá: apenas sua carteira, documentos, celular e o iPod. "Caralho!", pensou. "Só isso?".
Padeceu então pela terceira vez: percebeu que estava sozinho no mundo, que suas atitudes agora impactavam só a ele e ninguém mais. Os amigos também andavam agora com as próprias pernas e também não tinham tempo para os divertimentos que eram prioridade anos atrás. Pensou mais e viu que de um mundo de amigos que fez por toda a vida, somente dois ou três se tornaram vitais. Queria comprar passagens para eles, para irem juntos a qualquer lugar, mas como havia percebido antes, nenhum dos amigos eram sua propriedade.
Desistiu então de viajar. Tinha que voltar para os trabalhos, sabe como é... Arquivou os planos e voltou para o seu mundo, que ainda continuava bitolado, mas que mais do que nunca, agora era real. Ele já tinha criado tantas coisas que não podia abandoná-las mais sem antes fazer um planejamento detalhado. E também porque não tinha um pingo de dinheiro pra bancar todas essas suas vontades. Ele agora tinha contas pra pagar. Só uma palavra então veio à sua cabeça: "CU!"

Moral da história: "A vida é um grande Desafio Actívia: sempre dá merda no final"

6 Comentários:

João Victor Araripe disse...

MUITO BOM ! Adorei o seu blog ! Visite o meu blog sobre tênis e retribua o comentário ! : breakpointbrasil.blogspot.com/ - Siga meu blog, que eu sigo o seu de volta ! Também tenho twitter @breakpointbr, caso queria seguir.

Obrigado !

Juliana Ferreira disse...

ahh que história... eu tb me sinto mais amiga do que os outros :~ é ruim pensar que os amigos vão se "afastar" D:

adorei o post Gabriel lindo ;*

Naisa Nayane disse...

nós sempre estamos 'deslocados' :/

é ruim pensar que os amigos vão se "afastar" D: [2]

amei a história, linda *-*

Leane disse...

É.. estamos virando adultos! :(

Isa Priore disse...

t3ms0 LKSDJFSDKLÇKLS
Adoooorei qqq

Food for solitude. disse...

Tô pensando seriamente em adotar a dica da vovó e tomar Actívia mais vezes pra ver se me livro dessa vida-merda que me incomoda.

Postar um comentário