quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Livros e a Leitura

Eu sempre li muito. Muito provavelmente por influência da minha mãe que é literalmente uma devoradora de livros. Daquelas que sofrem de insônia e leem 10 livros imensos por mês e gasta em livros todo o dinheiro que poderia estar financiando o tráfico de armas da minha cidade. Assim eu fiz aquele caminho clássico de histórias em quadrinhos infantis; livros infantis; histórias em quadrinhos djovens; livros djovens; livros adultos. Com a prática, também aprendi a ler numa velocidade um pouco acima do normal, infelizmente perdendo alguns detalhes no caminho, mas pegando a idéia geral.
Ouço muito falar que a juventude não lê. Uma das maiores crítica ao RisosPonto quando começamos é que nossos textos eram longos demais e que ninguém leria, mas nós batemos nosso pé, nós acreditamos que você, leitor, era capaz de ler um texto de 7 parágrafos. Os jovens não leem menos, acredito até que ele lê muito mais do que um adolescente de 25 anos atrás. Veja os milhares de Crepúsculos vendidos, preste atenção na tiragem da Capricho e na audiência de blogs sentimentais espalhados pela interweb, pense nos mil tweets que o pessoal recebe por dia. As pessoas tem o costume de ler, o problema é que com a internet, a modernização, a tv, a vida e essas outras coisas futuristas, elas começaram a ter opção de ler e, adivinha? Elas começaram a ler só o que queriam! Não mais ler Grande Sertão Veredas, não mais ler O Processo de Kafka!
O que é importante agora é como tudo está escrito. Autores como Stephenie Meyer ou J. K. Rowling tiveram a manha pra escrever seus respectivos livros. São livros de fácil leitura e que prende a atenção do leitor, mesmo que esteja falando sobre um bruxo loser ou um vampiro virgem e por isso vendem milhares de livros, vendem os direitos para o cinema e para fazer bonequinhos da franquia. Elas cativaram seus leitores e não foi pelo conteúdo.
Nunca me dei bem com textos acadêmicos. Raro os textos interessantes o suficiente para prender minha atenção, a grande maioria é só eu pegar que começo a bocejar sem parar. A linguagem técnica utilizada pode parecer muito bonita para o pessoal da banca de mestrado, mas eu imagino que com um pouquinho de esforço toda a informação poderia ser passada de forma mais didática sem perda de conteúdo.
Não defendo a idiotização do mundo, apenas questiono se escrevendo de forma mais clara não seria mais eficaz para aumentar o acesso que as pessoas tem ao conteúdo. Vontade de ler existe e muita, agora é nos esforçarmos para converter os milhões de leitores de Crepúsculo em pessoas com conteúdo. Nós do Risosponto estamos tentando fazer nossa parte.

8 Comentários:

Karine do Prado disse...

Muito bom texto Toschas!;D

Gabriel Mota disse...

Bora ler, bando de gente sem cultura!

Tou eu aqui, na página 148 do meu livro de 550 páginas sobre... Branding.
Matéria de faculdade, livro acadêmico. E com meu TCC chegando, sei que terei que enentuplicar essa quantia de livros e páginas.
eu sempre curti livro. Meu problema é que não sei escolher. Nunca gostei dos que eu comprei. Os emprestados são mais divertidos!

Daniel Nanin disse...

Muito bom, Guilherme. Especialmente a parte na qual você se refere à linguagem interplanetária dos textos acadêmicos. For crying out loud com essa geração acadêmica arcaica que, a propósito, não está muito distante, em idade, da nossa.

Naisa Nayane disse...

Quando era menor adorava ler, achava a coisa mais dificil escolher apenas 2 ou 5 livros daquela lista ENOOOOOORME que vinha na lista de materiais; O tempo foi passando e com a internet acho que esse interesse foi passando, hoje eu ainda leio alguns livros, mas raramente me prendo neles. Eu gosto mais de histórias com adolescentes ou romance, Meg Cabot tem livros perfeitos, também gosto da série 'Poderosa' e 'Becky Bloom'.
Enfim, ler não é problema, você apenas precisa saber o que você gosta.

*Esse blog não é como os livros que leio, mas tem conteúdo e realmente nos fazem pensar sobre o mundo(?); Como já disse uma vez, é o único que me prendeu e nunca abandonei.*
"Nós do Risosponto estamos tentando fazer nossa parte." Estão conseguindo.

Thaís Coelho disse...

Eu gosto de ler, mas é difícil achar um livro que me agrade de verdade.
Legal o texto Guilherme :)

Zé Abrão disse...

eu concordo plenamente Toscano. E é isso aí, já vi gente reclamando aqui - e no meu também - por palavrões, gírias e outros blá-blá-blás, mas realmente, mesmo falando desse jeito, a gente passa a mensagem que a gente quer. E por quê fazemos isso? Porque sabemos que é uma forma mais clara e fácil de comunicação. Muitos escritores contemporâneos, não exatamente best-sellers, estão sacando isso também, como Junot Diaz e o próprio Markus Zusak.

IsaPriore disse...

JOANNE KATHLEEN ROWLING s2s2s2s2 *---*
Eu adoro ler, mas apenas livros ou notícias do meu interesse. E querendo ou não querendo, essas autoras incentivaram milhares de crianças e adolescentes a descobrirem o valor da leitura, ou pelo menos o gosto pela mesma. Foi o que Harry Potter fez comigo e com milhares de pessoas do mundo todo, Harry Potter tem conteúdo sim e lições de vida e moral também. =)

Um dia vocês conseguem, eu apoio! :B

Pedro Carvalho disse...

Já disse que nunca gostei de ler livros. Nunca fui acostumado ou habituado. Mas incrivelmente sempre amei a língua. Já escrevi um texto sobre isso, que não acho que inteligencia vem de paginas acumuladas, mas ajuda quem não tem essa facilidade. Percebi que, embora nao leia livros e nem goste da maioria deles, eu sempre li muita revista, blogs e jornais (também virtuais), o que me auxiliou muito também. Leitura é, sim, essencial.

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