quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Carência

2010 chegou junto com milhões de coisas que dinamizaram milhões de processos, trazendo tecnologias e um monte daqueles blá-blá-blás da globalização. Com a ajuda desses apetrechos, humanos ficaram apegados a coisas materiais que os entretinham melhor, então o bate-papo e a internet foram ferramentas que ocuparam o lugar de seus próprios amigos. Até a famosa boneca inflável e o antigo vibrador perderam ênfase num mundo em que o sexo pela webcam é mais interessante. Aprendemos na ensino médio que "frieza" e "perda de identidade" seriam temas com alta probabilidade de cair no vestibular. Focamos nisso e estamos cientes que caminhamos justamente nessa direção. Tudo com um grande "q" sobre o futuro: isso tudo é realmente uma merda quanto falam ou não?

Hoje tudo chegou a um nível de estranhamento tão grande que qualquer coisa é motivo pra matar sua mulher, pra atirar nos seus coleguinhas de faculdade ou até pra tirar a roupa nas twitcams da vida. O mundo voltou-se pra sua própria vida. Pro profissionalismo. Pro iPhone. Pro iMac. Tá tudo errado. E é por causa desse isolamento, que chegamos na palavra em que o mundo carece: atenção. A busca de atenção tá sendo a maior atividade da maioria. E a preocupação está pra ter mais amigos virtuais. Pra ter mais followers. Mais fama. Pra twittar a piada primeiro. Pra ter mais retwitt. Pra se gabar com os milhões de amigos no orkut ou os estrangeiros no facebook. É normal essa necessidade. Fazer um moicano, pintar a cara e criar um movimento. Mudar a religião pro satanismo e se disseminar isso. Botar uma calça laranja pra formar uma banda "diferente". É tudo carência.

E o pior, hoje já é normal esperar que alguém protagonize um Tiros em Columbine na sua faculdade. É normal o gordo e o estranho se contentarem com a situação e se auto-isolarem. É normal opção sexual virar "rótulo sexual", e ter que ter um estilo de roupa, um penteado em especial, um comportamento ridículo. É normal comprar um rayban com armação preta, uma camisa xadrez, quadrinhos; se intitular nerd e ter orgulho disso. É normal alguém manter pose e criar um personagem pra atingir outras pessoas. E o pior, hoje é normal um aplicativo virtual te SUGERIR amigos. É normal e você sabe por que? Porque "são coisas que acontecem".

Bem... se são coisas que acontecem normalmente, eu não sei. São coisas que acontecem HOJE. Mas que no meu mundo eu prefiro ignorar.

9 Comentários:

Gabriel Mota disse...

Griladinho, griladinho, griladinho...

O foda é que, pô, você sabe, eu sou daqueles retrógrados, que aaaamam conversar hoooras ao vivo com meus amigos. Mas daí vem essa caralhada de redes sociais, e é uma coisa boa de dar dinheiro em PP, se bem feito. Daí que eu me perdi nas minhas 457885415 contas em redes sociais por aí.
Nem vivo sem elas.
Mas ainda prefiro o bom e velho papo olho no olho.
Bora pro Fran's, conversar merda pessoalmente, PV?

(L)

Gabriel disse...

Auto-crítica.

IsaPriore disse...

Foi bonito.. foi bonito! KLDSKLFÇ
No começo me lembra o novo vídeo do Felipe Neto hihi

Thaís Coelho disse...

Infelizmente é isso mesmo que acontece. "Mas que no meu mundo eu prefiro ignorar"

Zé Abrão disse...

Pedro, eu já gostei de outros textos seus, mas esse hoje foi o primeiro que eu achei verdadeiramente e profundamente FODA.
Sério. Muito bom.
E você tá puto pra caralho, hein? Relaxa, extravasa... xD
E droga, eu gosto de quadrinhos =/

Anônimo disse...

Cara, seus textos são ridículos. Parece pré-adolescente escrevendo.

Naisa Nayane disse...

"Mas que no meu mundo eu prefiro ignorar"
Cada dia é uma coisa nova, prefiro ficar no meu mundo, curtir o que eu realmente gosto e não modinhas . E daí se o que eu gosto não está TÃO na mídia assim ?

Gabriel disse...

E daí se o que eu gosto TÁ na mídia. Não sou hipócrita.

João Alexandre Candango disse...

Acho que esses rótulos e outras bixices realmente nos enxem o saco quando se dá muita atenção a isso....nao to falando que vc gosta disso, só penso que se vc se importasse menos com esse tipo de coisa, talvez não tivesse tanta "raiva" a ser explicita nos textos =P

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